Depoimento
Apr 20, 2009 Bia, desenvolvimento, nova fase

Meu nome é Beatriz Almeida, tenho 2 anos e 7 meses e estou há 18 dias sem chupar a minha “tupêta”.
Meu prazo era largar até os 3 anos, mas a mamãe resolveu adiantar.
É que eu já não tinha controle, só queria chupeta a toda hora, no carro, na escola, em casa…
Então num dia em que eu não pude esperar 20 minutinhos pra mamãe poder encostar o carro, pegar na minha mochila e me dar, eu dei um xilique que foi a gota d´água. A partir daquele dia eu não soube mais o que é ter o meu “consolinho”.
Foi radical, viu! Mamãe me explicou que tava fazendo dodói no meu dentinho, que eu era uma mocinha, e simplesmente sumiu com as minhas tupetinhas.
Reconheço que achei que ia ser pior… como eu ia dormir? como eu ia andar de carro, naquele balancinho gostoso, sem ter a minha pepê pra relaxar? E na hora do denguinho, quando a minha mamãe estivesse viajando, quem ia suprir a falta dela?
Mas na primeira noite deixaram eu dormir na cama da mamãe, brincar até tardão e eu nem senti falta. De madrugada é que sofri a minha primeira crise de abstinência. Chorei muito, na esperança da mamãe desistir dessa tortura, tava quase conseguindo, se fosse só com o papai, talvez… mas não deu certo.
Nem a vovó voltou atrás!
O bom é que uma tal fadinha passou em casa no final de semana e quando viu as chupetas no lixo, me deixou dois presentinhos, um pra cada pepê jogada fora… e eu amei um deles… uma maletinha de maquiagem com esmaltes, batom, sombra, glitter…
E de agora em diante sou uma mocinha, é isso que a mamãe diz.
E eu espero ter forças pra continuar.
Minha filhotinha linda,
Você ficou ainda mais linda sem a chupeta. Eu reconheço que cê ainda é uma bebezinha, mas não dava pra continuar com esse vício.
E em apenas duas semanas a sua mordida começou a fechar… foi muito rápido!
Já já você supera isso e a nossa casa vai ser o castelo de uma princesinha, não mais a casa de uma bebezinha.
Te amo!
Tempo, tempo…
Apr 5, 2009 Bia, angústia de mãe, desenvolvimento
Definitivamente eu quero mais tempo. Pode ser de presente de páscoa, aniversário, natal, ou até mesmo um pedido pra estrela cadente. Cheguei à conclusão que isso é o que mais me faz falta hoje em dia.
Tempo pra aproveitar o “seu tempo“, pra brincar mais com você, pra te ajudar nos percalços da vida - que agora resumem-se à deixar a chupeta e as fraldas, pra curtir mais o meu melhor papel: sua mãe.
Tanto tempo que não te escrevo…
Tanto assunto! E nada de tempo!
Pelo menos vamos vivendo um diazinho de cada vez, né filha?
Pra começar: a sua adaptação à escola agora é coisa do passado. Bastou a mamãe viajar por 3 semanas seguidas pra você passar a ver a escola com outros olhos. Agora chega, solta um beijo e me dá tchau. Vai pra casa cantando as musiquinhas, no final de semana às vezes lembra de algum coleguinha e pergunta onde está… que alívio! Você de fato está se socializando. Quer dizer, temos alguns probleminhas de convivência, certamente isso virá na avaliação trimestral, mas vamos corrigir juntas, tenho certeza!
Ai filha, é tanta coisa pra te falar! Vou tentar escrever separadamente pra não confundir sua cabecinha.
Por hora quero dizer que acho lindo o seu gosto por vestidos longos. Chega a ser engraçado, Bia. Começou com a camisola da Branca de Neve, e agora se puder passas o dia inteiro em vestidões, arrastando pela areia, se sentindo a maior princesa.
A gente baba, lógico.
E sigo torcendo pra tudo passar bem devagar e podermos curtir cada minutinho do seu crescimento.
Volto logo, tá? Me espera.

Pé no chão!
Feb 16, 2009 Bia, desenvolvimento
Pára tudo!
Outro dia você nasceu! Entrou nessa piscina pela primeira vez quando tinha 8 meses. Fez a maior festa do mundo no colo do seu pai. Já enxergávamos que você era “peixa”.
Mas filha… não passaram dois verões e você está dando pé na piscina da casa da vovó.
Meu Deus!!!
Confesso que quando ví o seu pai te soltar devagarzinho, na parte rasa, o coração saltou na boca.
Você colocou a língua pra fora, como sempre faz quando tá aprontando alguma, levantou os bracinhos e foi andando, devagarzinho, em direção à borda da piscina.
Só assim pra essa mamãe besta perceber que você está, de fato, crescendo, e não deixar de sentir-se recompensada por cada dia de saúde, esperteza e felicidade.
Isso filha, não liga pras lágrimas da mamãe.
Se equilibre, ande firme, com seus próprios pés.
Mas não esqueça que se precisar de apoio, estarei sempre ao seu lado, pronta pra te ajudar a caminhar.
Amor da minha vida.
Fim de festa
Jan 15, 2009 Bia, desenvolvimento, nova fase
Nossas férias acabaram. Não podemos mais dormir juntinhas até às 9:30h, às vezes 10 da manhã… nem tirar aquela soneca gostosa de tarde. Acabaram os banhos de mangueira (você quase aposentou o chuveiro!), os lanchinhos a toda hora e o dengo full time do papai e da mamãe. Ficamos absolutamente por sua conta nesses 20 e poucos dias.
Deu trabalho, tenho que reconhecer. Você não é uma criança das mais fáceis de se lidar. Não brinca sozinha, não se concentra, até o filme você quer trocar a todo momento. Eu perdi a paciência várias vezes. Precisei deixá-la sozinha com seus berros e birras pra treinar o auto-controle…. o meu e o seu… Nessas horas a presença do seu pai foi fundamental, ele te acalmava, desviava sua atenção do foco da birra, e me disse que talvez você estivesse cansada da gente. Achei graça disso.
Será?
É certo que você pediu pra ir pra casa da vovó algumas vezes, quis dormir lá e nós deixamos. Sabemos que também precisamos desse tempo. E era muito gostoso sentir aquela saudade quando chegávamos em casa, ligar a toda hora pra ouvir a sua vozinha e ver o seu sorriso quando íamos buscá-la.
Os limites ficaram mais claros. Os nossos e o seu.
Agora chegou a hora de prepará-la pra nova fase. E pra começar, o berço fugiu, como você mesmo disse.
No lugar entrou uma mini-cama fofa, onde você senta e balança as perninhas. Sabemos que você vai fugir muito dela, que vai bater no nosso quarto, e até estamos com medo de eventuais quedas. Mas sei que essa pequena mudança representa muito no seu desenvolvimento.
Temos menos de um mês pra suas aulas começarem. Ainda vamos fazer revisões no médico, visitar um dentista e ver como faremos com esse soninho da tarde.
Muito trabalho pela frente mocinha.
Agora de fato, 2009 vai começar.
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Os sentimentos
Jan 13, 2009 Bia, desenvolvimento, mamãe
Outro dia lí no livro da Adriana Falcão que o sentimento é a língua que o coração usa quando quer dizer alguma coisa. Achei bonito isso. Tentar definir de uma forma tão simples uma coisa que pode ser bem complicada. Sim, porque depende do sentimento, né?
Mesmo quando sabemos de qual sentimento se trata, às vezes é difícil explicar porque ele está ali, naquela hora, naquele lugar.
Você atrapalha muito os sentimentos na hora de dizer o que está sentindo… ora bolas… nada mais normal… nem os adultos conseguem fazer isso direito, quanto mais você.
Acho muita graça quando algo te decepciona e acompanhando um gesto de se encurvar e fazer um biquinho lindo, você diz que está com “vegonha”. Às vezes você acerta e diz que tá “thiste”.
Bom seria que tudo que pudesse te fazer triste se resumisse ao fim de um desenho, ou um lápis que não quer riscar.
Eu tenho aprendido muito com você nesses dias. Nunca estivemos tão juntas, aliás, já… inclusive já fomos uma só. Mas me refiro a dividir tantos momentos, interagir, conversar. E você já conversa filha, perguntando, repetindo algumas frases e tentando fazer algum sentido.
Dia desses eu tava triste, com uma angústia que não me abandonava. Te dava comidinha, você sentada no cadeirão, mas já comendo no seu pratinho com garfinho, sem precisar de ajuda alguma. Eu tentei disfarçar algumas lágrimas que caíram, mas seu radar tava ligado e imediatamente você me perguntou: “tá choiando mamãe?” Foi o que bastou pra eu desabar. Naquele momento erámos apenas nós duas, mãe e filha, compartilhando um momentozinho. Nem pude falar nada e aí você continuou:
“tá choiando puquê? tá thiste?” - silêncio de minha parte,tentando não levar aquilo adiante
“num fica thiste. voxê ama Bia e Bia ama voxê. Bia é uma médica pá cuidar de mamãe” - risos
“tá bem né mamãe? fica bem”
Aí eu realizei de uma vez por todas que nunca mais estarei sozinha nesse mundo. Lembrei dessas fotos que tiramos na Colômbia. Elas ilustram perfeitamente essa cumplicidade entre mãe e filha que estamos desenvolvendo mais e mais a cada dia.
P.S. Papai, não fica com ciúme… também vou escrever sobre vocês dois


